É importante iniciar este debate com a afirmação de que a alimentação não é uma escolha, é um ato primário e essencial para a manutenção da vida.
Nos dias atuais em que a moda dita o padrão de beleza dando-se maior valor às aparências trava-se uma batalha contra os alimentos. Incrível! Lutamos contra o que nos dá vida. Parece ser fundamental recordar um princípio básico da nutrição, que é a oferta calórica (nutrientes) nem maior e nem menor do que o gasto energético que deve orientar a ingestão satisfatória de alimentos diante das necessidades peculiares de cada pessoa. Então o ato de se alimentar e a escolha do que comer não pode ser reduzida a uma simples moda passageira, desenfreada, ditada por interesses econômicos e ondas midiáticas sem passar uma informação apropriada, que passam a apresentar receitas milagrosas com produtos isolados ou restritos, quando a diversidade nutricional deveria orientar nossa conduta alimentar e não a culpa e a ansiedade.
Diante deste conflito é preciso usar também da psicologia para auxiliar as pessoas que nos procuram com suas dificuldades, angústias, culpas buscando equilibrar suas escolhas alimentares e separando-as dos elementos psicológicos. Neste contesto, surge a Reeducação Afeto Cognitivo do Comportamento Alimentar, RAFCAL, como mais um instrumento nas mãos da(do) nutricionista e como auxílio no (re)conhecer através do olhar da psicologia, o suficiente para saber acolher e aceitar o paciente e ofertar uma nova mediação para que ele encontre um caminho próprio de confiança em si mesmo.
A nutrição associada ao RAFCAL deve fornecer elementos de uma mediação que leve ao aprendizado e que este passe a ser incorporado na vida da pessoa. Fornecendo elementos para que o ato de se alimentar represente um modo de enfrentar e entender a vida no seu mais amplo sentido, independente dos apelos da propaganda e dos modismos.
Somente quando o processo mediado for absorvido e incorporado à forma de vida da pessoa ela vai saber que onde quer que esteja, no seu meio social, será senhora de si mesma e livre para “comer” o que é necessário para a manutenção da sua vida porque ela vai conhecer o seu “eu” interior e terá a garantia de que não vai errar em suas escolhas e se isso acontecer é porque a mediação aconteceu.
É importante lembrar que a pessoa estando em seu equilíbrio psicológico com certeza vai errar menos e assim também será com o alimento, o qual jamais poderá ser eliminado. Portanto, o uso racional do alimento, baseado numa informação não manipulada, mediada por um/a nutricionista e um/a psicólogo/a, é que podem oferecer a garantia de maturidade e equilíbrio à pessoa.
Teresa Cristina Reese Frigo
Nutricionista
CRN8 - 3955
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